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Secretário Jefferson Portela admite crescimento de crime de latrocínio na Grande Ilha

Jefferson Portela concede entrevista e mostra números que conflitam com os divulgados pela Sociedade Maranhense de Direitos Humanos; secretaria muda tipificação de crimes e reduz o número de mortes violentas
O secretário de Segurança Pública, Jefferson Portela, afirmou, ontem, em entrevista coletiva a jornalistas, que a quantidade de crime de latrocínio, ou seja, roubo seguido de morte ocorridos durante o ano de 2015 na Região Metropolitana de São Luís teve um aumento de 100% em relação ao ano anterior, ou seja, 64 casos contra 32 casos no mesmo período do ano passado. Ele disse que esse aumento foi em decorrência da polícia ter realizado grande apreensão de droga em todo o estado, com quase 2 toneladas, e isso fez com que os traficantes migrassem para a prática do crime de roubo.
“As inúmeras apreensões de drogas feitas pelas Polícias Militar e Civil dificultaram a chegada desses produtos nos pontos de venda e isso acabou levando o traficante a realizar outro tipo de crime, um deles foi a prática do roubo. Essas ações criminosas resultaram em mortes”, explicou o secretário. Segundo ele, em se tratando de ocorrências de homicídios dolosos no ano passado, com 801 casos, foi menor que em 2014, que registrou 910 na Grande Ilha de São Luís.
Esses números acabam contradizendo os dados da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH), divulgado no final do ano passado, que revelaram que até o dia 14 de dezembro do ano passado ocorreram 1.000 mortes intensionais em 2015, na Região Metropolitana de São Luís. De acordo com esse órgão, esses dados foram baseados em relatório sobre a violência produzido pela SMDH a partir do monitoramento dos veículos de comunicação e de dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP-MA).
Jefferson Portela disse que as mortes decorrentes de lesão corporal acabaram tendo a mesma quantidade de registro durante estes dois últimos anos, ou seja, com 45 ocorrências cada. “A Secretaria Nacional de Segurança adotou os casos de latrocínio, homicídio doloso e lesão corporal seguido de morte como Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI). Em se tratando desses tipos de crime, no Maranhão, em 2015, teve uma redução dos casos em relação ao ano de 2014. Ano passado, foram de 910 CVLIs contra 987 em 2014”, frisou o secretário de Segurança.
Ele declarou que achado de cadáver, morte em confronto com a polícia, morte a esclarecer e morte em unidades prisionais são outros tipos de modificadores de mortes violentas para a Secretaria Nacional de Segurança.
Ação da PM
O comandado geral da Polícia Militar, coronel Marco Antônio Alves; o delegado geral da Polícia Civil, Lawrence; e o comandante geral do Corpo de Bombeiros, coronel Célio Roberto de Araújo também participaram da coletiva. Para o coronel Alves, no período das 22 horas do dia 31 de dezembro do ano passado até às 7 horas do primeiro dia do ano de 2016 não ocorreram assassinatos na Grande Ilha, apenas um caso de tentativa de homicídio, nas proximidades do bar do Kabão, no Anel Viário.
O coronel também falou que durante as festas da virada do ano novo, um período dos últimos seis dias de 2015, mais de dois mil policiais estiveram realizando o trabalho de policiamento nas ruas da capital e um montante de 3. 800 homens, no interior do estado.
No decorrer do dia 30 de dezembro até domingo, 3, a polícia fez 185 autuações de infração no trânsito, 38.425 abordagens e 69 conduções aos plantões de Polícia Civil, localizado na Região Metropolitana de São Luís. No interior, os militares prenderam 68 pessoas pelo crime de embriagues ao volante, 13 armas de fogo apreendidas, 17.662 abordagens, 243 conduções a delegacias e 190 boletins de ocorrências. “Nestes últimos seis dias, não tivemos o registro de explosão de banco, no estado, devido o nosso forte policiamento”, frisou o coronel.
O coronel informou ainda que 1.113 armas de fogo foram apreendidas pela Polícia Militar somente na Grande Ilha durante o ano passado, enquanto que em 2014 foram 920.
Morte na Raposa
No município de Raposa, Danilo Alves da Silva, o Pé Queimado, de 24 anos, foi morto com dois tiros, possivelmente desferidos por um adolescente, no começo da tarde de ontem, na Vila Laci, na cidade da Raposa. A polícia não soube informar o motivo do crime, mas os investigadores acreditam em um acerto contas entre envolvidos com o tráfico de droga na área.
O coordenador de policiamento da Unidade do 13º Batalhão, tenente William César, informou que a guarnição foi informada pelo Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops) que um homem teria sido baleado na perna e no peito, na Vila Lacir. Os militares ao chegarem ao local encontraram a vítima em via pública toda ensanguentada.
Danilo Alves ainda foi levado ao hospital da cidade, mas morreu antes de ser submetido ao tratamento cirúrgico. Em relação ao acusado, o tenente declarou que testemunhas disseram que o autor dos tiros, que seria um adolescente, fugiu do local. O caso será investigado pela Polícia Civil, que deve trabalhar com a possibilidade de o crime ter sido motivado pela comercialização de entorpecente. “Os policiais ainda tentaram salvar a vida da vítima levando-a para o hospital, onde morreu antes de receber atendimento médico”, disse o tenente.

OEstado

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